Tempo de Ciclo de Coleta de Dados e Fatores de Desempenho

O ciclo de coleta (aquisição) de dados via protocolo MODBUS e SCP-HI no Portal de Telemetria possui um intervalo mínimo configurado de 30 segundos no Conector.

No entanto, este valor representa o intervalo mínimo entre o início dos ciclos, e não uma garantia de que toda a coleta será concluída dentro desse tempo.

Na prática, o tempo total de execução do ciclo depende de diversos fatores, incluindo a configuração do Conector, o volume de Dados cadastrados, o comportamento do equipamento remoto e as condições de comunicação.

Em cenários onde a comunicação ocorre através de redes móveis (como 3G, 4G ou conexões de maior latência), pode haver maior variabilidade no tempo de resposta, o que pode impactar o desempenho do ciclo de coleta.

Dependendo dessas condições, o ciclo pode levar mais tempo para ser concluído, influenciando a frequência de atualização dos dados.

Atenção

O intervalo de aquisição configurado no Conector (ex: 30 segundos) define apenas o intervalo mínimo entre o início dos ciclos, não garantindo que todas as operações de coleta sejam concluídas dentro desse período.

Isso significa que, mesmo com um intervalo configurado de 30 segundos, eventualmente os Dados podem ser atualizados em intervalos maiores. Esse comportamento depende dos fatores de desempenho envolvidos no processo de coleta, como volume de Dados, organização dos endereços, uso de buffer, comandos de escrita e condições de comunicação.

Como funciona o ciclo de coleta

A cada ciclo de coleta no equipamento remoto, o Portal realiza as seguintes etapas:

  • Leitura dos Dados (variáveis) configurados no Conector;

  • Leitura (consumo) do buffer de registros (FIFO), quando habilitado no Dispositivo (ver armazenamento local);

  • Execução de comandos de escrita em dados (quando houver);

  • Processamento das respostas do equipamento;

  • Avaliação de alarmes associados aos dados coletados;

  • Persistência de registros no histórico de dados (quando aplicável).

Essas operações são executadas de forma sequencial e compartilham o tempo disponível do ciclo.

Fatores que impactam o tempo de coleta

Quantidade de Dados configurados

Quanto maior o número de Dados configurados:

  • Maior o número de leituras necessárias;

  • Maior o tempo total do ciclo.

Organização dos endereços MODBUS

O Portal pode agrupar leituras quando os endereços são sequenciais (modo otimizado configurado no Conector).

  • Endereços agrupados/sequenciais:

    • Menor quantidade de comandos MODBUS;

    • Melhor desempenho e menor tempo de coleta.

  • Endereços dispersos:

    • Maior número de requisições;

    • Aumento no tempo total do ciclo.

Tipos de memória diferentes

Dados em diferentes tipos de memória (ex: COIL, Holding Register):

  • Exigem comandos MODBUS distintos;

  • Não são lidos exatamente no mesmo instante.

Isso pode resultar em diferenças de timestamp entre os dados, mesmo dentro de um mesmo ciclo de coleta.

Dados do tipo Vetor e String

Dados configurados como vetores ou strings possuem impacto adicional no ciclo de aquisição:

  • Vetores exigem leitura de múltiplos endereços consecutivos;

  • Strings são normalmente representadas como uma sequência de registradores;

  • O tamanho do dado (quantidade de elementos ou comprimento da string) influencia diretamente o tempo de leitura.

Impactos:

  • Aumento do tempo de resposta do equipamento;

  • Maior volume de dados trafegados na comunicação;

  • Possível necessidade de múltiplos comandos de leitura.

Armazenamento local de registros de valores de Dados no Conector

Quando o armazenamento local está habilitado no cadastro do Dispositivo associado ao Conector:

  • O Portal consome até 200 registros por ciclo e, para isso, realiza uma série de leituras específicas para o consumo desses registros no equipamento remoto;

  • Cada registro é processado individualmente.

Impactos:

  • Um grande volume de registros acumulados pode aumentar o tempo do ciclo;

  • O consumo do buffer compete com a leitura de dados associados diretamente a um endereço de variável no equipamento remoto, podendo priorizar o esvaziamento do buffer.

Comandos de escrita

O envio de comandos de escrita em dados para o equipamento remoto pode ocorrer em diferentes situações:

Impactos:

  • As escritas compartilham o mesmo canal de comunicação MODBUS;

  • Podem aumentar o tempo do ciclo quando realizadas em grande volume;

  • Dependem diretamente do tempo de resposta do equipamento remoto.

Latência de comunicação

O tempo de comunicação entre o Portal e o equipamento remoto é um dos fatores que podem influenciar o desempenho do ciclo.

Esse tempo pode ser impactado por:

  • Tempo de resposta do equipamento;

  • Qualidade da rede;

  • Uso de redes móveis (3G, 4G ou similares);

  • Presença de VPNs ou links com alta latência.

Em redes móveis, é comum observar:

  • Maior latência;

  • Variação no tempo de resposta;

  • Eventuais perdas ou retransmissões.

Essas condições podem aumentar o tempo total do ciclo de coleta.

Consequências práticas

Quando o tempo de execução do ciclo ultrapassa o intervalo configurado:

  • O próximo ciclo inicia com atraso;

  • Os Dados podem apresentar atualização mais lenta;

  • Pode haver maior diferença de tempo entre os registros (timestamps).

Boas práticas de configuração

Para garantir melhor desempenho e estabilidade:

  • Organize os endereços de forma sequencial, pois permite um melhor uso da leitura otimizada.

  • Evite excesso de Dados no mesmo Conector e distribua os Dados quando necessário.

  • Utilize Dados vetores e strings com extremo critério e prefira tamanhos adequados quando não for possível evitar.

  • Controle o uso do buffer (FIFO) e evite acúmulo elevado de registros.

  • Evite excesso de comandos de escrita, especialmente em cenários com alta frequência de atualização, como por exemplo, através do recurso de Mapeamento de Dados entre Conectores.

  • Considere as condições de comunicação e em redes móveis, priorize configurações mais leves e eficientes.